Há os que têm o companheirismo e a poesia no sangue
e os que têm um mundo com outros horizontes
- tão subjectivo como as nossas particularidades -
Eu tenho o mar como companheiro e liberdade
Mais Natal - Puta que o pariu
P´ra frente p´ra trás
um pr'ali dois pr'acolá

"Merde d'Artist" - Piero Manzoni

be(ing) DADA

Vais mais devagar, a tragédia está a chegar ou então todos saberão que o sol amanhã volta outra vez e estarás estendido na natureza homem e mulher, merda, vai lá e vai devagar, já disse estendido, pim pam pum, vês o que te disse, eu sabia aquele sorriso vestido de branco atrás do verde, não é nenhuma comédia nem sátira é o tambor divino com sede de te compreender e agarrar como só um amante é capaz, corre, corre agora que o cão precisa de beber chá gelado, porque a luz arrefeceu, tira-lhe o lenço que parece ridículo e dá-lhe também de comer, agora posso pôr perfume às flores que começam a ficar assustadas e precisam de encontrar o caminho de volta às suas rotinas, foda-se, porque é que preciso de fazer isto, porque és alérgico ou porque é absurdo, como uma rainha que volta ao trono em cada baralho de cartas, muito bem, mas vou devagar tirar a dor.

Ainda loucura

“Dizei-me, pelos deuses imortais!, se há gente mais feliz do que aquela espécie de homens que o vulgo denomina loucos, estultos, fátuos ou ingénuos, cognomes belíssimos, na minha opinião? (…)

Destruir a ilusão é destruir a arte. Eram a ficção e o disfarce o que prendia a tenção dos espectadores. Toda a vida dos mortais não passa de uma comédia, na qual todos precedem conforme a máscara que usam, todos representam o seu papel, até que o contra-regra os mande sair de cena. (…)

Tudo no mundo é disfarce, e no teatro igualmente. (…)

É doce enlouquecer a tempo.

Erasmo, Elogio da Loucura

"Dinamatologia"

No Concerto de Gigli aprende-se a transformar a afirmação divina “Eu sou quem sou” em “Eu sou quem puder ser”.

Loucura!


(diagrama perdido)

“A incapacidade de suportar sentimentos divide, sobretudo, o pensar do sentir. Embora tal se considere característico de um comportamento esquizofrénico, é essa a realidade em que vivemos nós, os «normais», e não os esquizofrénicos. No caso deles, a cisão é sinal da sua recusa de perfilharem sentimentos fingidos ou hipócritas.”

Gruen, Arno (1995): A loucura da normalidade; p.29.