Poeta en Nueva York
O Esfolado
Sê uma fonte de esperança
Nunca percas a esperança!
Desenvolve o teu coração.
No teu país, demasiada energia
É consagrada a cultivar a mente.
Sê uma fonte de compaixão,
Não só para os teus amigos,
Mas para toda a gente.
Sê uma fonte de compaixão.
Trabalha para a paz.
E repito-te,
Nunca percas a esperança,
Aconteça o que acontecer
Aconteça o que acontecer à tua volta
Nunca percas a esperança!"
(Dalai Lama)
arte...
" A arte livra-nos ilusoriamente da sordidez de sermos. Enquanto sentimos os males e as injúrias de Hamlet, príncipe da Dinamarca, não sentimos os nossos — vis porque são nossos e vis porque são vis.
O amor, o sono, as drogas e intoxicantes, são formas elementares da arte, ou, antes, de produzir o mesmo efeito que ela. Mas amor, sono, e drogas tem cada um a sua desilusão. O amor farta ou desilude. Do sono desperta-se, e, quando se dormiu, não se viveu. As drogas pagam-se com a ruína de aquele mesmo físico que serviram de estimular. Mas na arte não há desilusão porque a ilusão foi admitida desde o princípio. Da arte não há despertar, porque nela não dormimos, embora sonhássemos. Na arte não há tributo ou multa que paguemos por ter gozado dela.
O prazer que ela nos oferece, como em certo modo não é nosso, não temos nós que pagá-lo ou que arrepender-nos dele.
Por arte entende-se tudo que nos delicia sem que seja nosso — o rasto da passagem, o sorriso dado a outrem, o poente, o poema, o universo objectivo.


