Poeta en Nueva York

"Yo, poeta sin brazos, perdido
entre la multitud que vomita,
sin caballo efusivo que corte
los espesos musgos de mis sienes.
(…)

Quiero llorar diciendo mi nombre,
rosa, niño y abeto a la orilla de este lago,
para decir mi verdad de hombre de sangre
matando en mí la burla y la sugestión del vocablo.

No, no. Yo no pregunto, yo deseo.
Voz mía libertada que me lames las manos.
En el laberinto de biombos es mi desnudo el que recibe
la luna de castigo y el reloj encenizado."
(Federico García Lorca)



O Esfolado

"Para encontrar a textura da madeira (se não se for marceneiro) basta pregar um prego e ver se este se enterra bem. Para localizar os meus pontos fracos, existe um instrumento que se assemelha a um prego: é o escárnio: suporto-o mal. O Imaginário é, com efeito, uma matéria séria (nada tem a ver com o «espírito sério»: o apaixonado não é homem de boa consciência): a criança que está na lua (o lunático) não é jogador; eu estou, do mesmo modo, fechado ao jogo: não só porque o jogo corre sem cessar o risco de aflorar algum dos meus pontos fracos mas também porque o que diverte o mundo me parece sinistro; não é possível importunar-me sem correr riscos: legível, susceptível? - Antes delicado, penetrável como a textura de certas madeiras."
(Barthes)

Sê uma fonte de esperança

"Aconteça o que acontecer
Nunca percas a esperança!
Desenvolve o teu coração.
No teu país, demasiada energia
É consagrada a cultivar a mente.
Sê uma fonte de compaixão,
Não só para os teus amigos,
Mas para toda a gente.
Sê uma fonte de compaixão.
Trabalha para a paz.
E repito-te,
Nunca percas a esperança,
Aconteça o que acontecer
Aconteça o que acontecer à tua volta
Nunca percas a esperança!"

(Dalai Lama)

? (24)

O Admirador só ouve o balbucio do silêncio quando o Admirado baloiça sobre a onda.

arte...

" A arte livra-nos ilusoriamente da sordidez de sermos. Enquanto sentimos os males e as injúrias de Hamlet, príncipe da Dinamarca, não sentimos os nossos — vis porque são nossos e vis porque são vis.

O amor, o sono, as drogas e intoxicantes, são formas elementares da arte, ou, antes, de produzir o mesmo efeito que ela. Mas amor, sono, e drogas tem cada um a sua desilusão. O amor farta ou desilude. Do sono desperta-se, e, quando se dormiu, não se viveu. As drogas pagam-se com a ruína de aquele mesmo físico que serviram de estimular. Mas na arte não há desilusão porque a ilusão foi admitida desde o princípio. Da arte não há despertar, porque nela não dormimos, embora sonhássemos. Na arte não há tributo ou multa que paguemos por ter gozado dela.

O prazer que ela nos oferece, como em certo modo não é nosso, não temos nós que pagá-lo ou que arrepender-nos dele.

Por arte entende-se tudo que nos delicia sem que seja nosso — o rasto da passagem, o sorriso dado a outrem, o poente, o poema, o universo objectivo.

Possuir é perder. Sentir sem possuir é guardar, porque é extrair de uma coisa a sua essência."
(Bernardo Soares)


(Gerhard Richter - Firenze Edition)