Ergue-se o silêncio dos passos
Inaugura-se outra escuridão
Entrega-se ao voo do pensamento
Passa-se o tempo pela areia
Esquece-se das luas
Bertolt Brecht
Monólogo de uma actriz enquanto se maquilha
Vou fazer o papel de uma bêbada
Que vende os filhos
Em Paris, nos tempos da Comuna.
Tenho apenas cinco réplicas.
E preciso de me deslocar, de subir a rua.
Caminharei como gente livre
Gente que só o álcool
Quis libertar e voltar-me-ei
Como o bêbado que receia
Ser perseguido. Voltar-me-ei
Para o público.
Analisei as minhas cinco replicas como os documentos
Que se lavam com ácido para descobrir sob os caracteres
visíveis
Outros possíveis caracteres.
Pronunciarei cada réplica
Como a melhor acusação
Contra mim e contra todos os que me olham.
Se eu não reflectisse maquilhar-me-ia simplesmente
Como uma velha beberrona
Doente e decadente.
Mas vou entrar em cena
Como uma bela mulher que guarda a marca da destruição
Na pálida pele outrora macia e agora cheia de rugas
Outrora atraente e agora repelida
Para que ao vê-la cada um se interrogue: quem
Fez isto?
Vou fazer o papel de uma bêbada
Que vende os filhos
Em Paris, nos tempos da Comuna.
Tenho apenas cinco réplicas.
E preciso de me deslocar, de subir a rua.
Caminharei como gente livre
Gente que só o álcool
Quis libertar e voltar-me-ei
Como o bêbado que receia
Ser perseguido. Voltar-me-ei
Para o público.
Analisei as minhas cinco replicas como os documentos
Que se lavam com ácido para descobrir sob os caracteres
visíveis
Outros possíveis caracteres.
Pronunciarei cada réplica
Como a melhor acusação
Contra mim e contra todos os que me olham.
Se eu não reflectisse maquilhar-me-ia simplesmente
Como uma velha beberrona
Doente e decadente.
Mas vou entrar em cena
Como uma bela mulher que guarda a marca da destruição
Na pálida pele outrora macia e agora cheia de rugas
Outrora atraente e agora repelida
Para que ao vê-la cada um se interrogue: quem
Fez isto?
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