o ateísmo purificador

"Um caso de contraditórios verdadeiros. Deus existe, Deus não existe. Onde está o problema? Estou perfeitamente segura de que existe um Deus, no sentido em que estou perfeitamente segura de que o amor não é ilusório. Estou perfeitamente segura que não existe Deus, no sentido em que estou perfeitamente segura de que nada de real se parece com aquilo que posso conceber quando pronuncio esse nome. Mas o que não posso conceber não é uma ilusão. (...) Entre dois homens que não possuem a experiência de Deus, aquele que o nega talvez seja o que está mais próximo dele."
(Simone Weil)

Sem qualquer traição

"O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.

O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.

Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele."

(Alberto Caeiro)

Desespero

Mas temos amigos, e palavras, mesmo que só pareçam pobres

O vento assusta-se com o corpo que me acompanha que não é sempre frio

Nunca foi, nem será, mas por vezes tenho de o colocar no frigorífico

[ou]

"Quando se ama, tudo é amor, mesmo a dor e a repulsa.
O raminho da árvore e a vidraça iluminada pela luz pálida da tarde transformaram-se numa vivência que descia ao mais fundo do seu ser e a que as palavras mal podiam dar expressão.
(...)
Os séculos ensinaram-lhe que os vícios se podem transformar em virtudes e as virtudes em vícios, e conclui que no essencial, só por inépcia se não consegue fazer de um criminoso um homem útil no tempo de uma vida."

(Robert Mussil)

ainda e por muito tempo

Johnny Guitar (1954)

Directed by: Nicholas Ray
Cast: Joan Crawford, Sterling Hayden, Mercedes McCambridge, Scott Brady, Ward Bond, Ben Cooper, Ernest Borgnine, John Carradine, Royal Dano, Frank Ferguson, Paul Fix, Rhys Williams

Vienna has built a saloon oustide of town, and she hopes to build her own town once the railroad is put through, but the townsfolk want her gone. When four men hold up a stagecoach and kill a man the town officials, led by Emma Small, come to the saloon to grab four of Vienna's friends, the Dancin' Kid and his men. Vienna stands strong against them, and is aided by the presence of an old acquaintance of hers, Johnny Guitar, who is not what he seems.

Johnny: De quantos homens te esqueceste?
Vienna: De tantos quantas as mulheres de que tu te lembraste.
Johnny: Não te vás embora.
Vienna: Não me mexi.
Johnny: Diz-me alguma coisa agradável.
Vienna: Claro. O que queres ouvir?
Johnny: Mente-me. Diz-me que esperaste [por mim] estes anos todos.
Vienna: Esperarei [por ti] estes anos todos.
Johnny: Diz-me que terias morrido se eu não tivesse voltado.
Vienna: Teria morrido se não tivesses voltado.
Johnny: Diz-me que ainda me amas como eu te amo.
Vienna: Ainda te amo como tu me amas.
Johnny: Obrigado. Muito obrigado.

(adaptação e diálogos de Philip Yordan, a partir do romance de Roy Chanslor)
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Peggy Lee - There´ll Be Another Spring